Plano de Urbanização
da Quimiparque e Áreas Envolventes

Participação pública inicia este mês

Outubro marca o arranque de uma nova fase de participação pública do processo do Plano de Urbanização (PU) da Quimiparque e áreas envolventes que se prolongará até Março de 2011. Sessões públicas nas freguesias, um Fórum de Participação e uma exposição foram as iniciativas anunciadas ontem, dia 6 de Outubro, em conferência de Imprensa promovida pela Câmara Municipal do Barreiro (CMB). A acção decorreu na sala de sessões dos Paços do Concelho onde se encontra a maqueta do Plano.

Na ocasião, o Presidente da CMB lembrou o protocolo de parceria celebrado entre a Autarquia e a Quimiparque, em Maio de 2006, para a elaboração do PU. Desde então, foram dados vários passos de acordo com o Plano Regional de Ordenamento do Território da Área Metropolitana de Lisboa (PROT-AML), o qual prevê a construção da cidade de duas margens, polinucleada e que permite que Lisboa seja cidade-região, motor de desenvolvimento do País.
Segundo Carlos Humberto de Carvalho, o Barreiro “é um contribuinte para a concretização da visão estratégica”.

No total, o território tem uma extensão de 500 hectares, dos quais 300 pertencem ao território da Quimiparque e os restantes a zonas que se consideraram importantes integrar no Plano.

Um território para trabalhar, viver e usufruir

Um plano que pretende transformar este território para trabalhar, viver e usufruir. As questões do trabalho, criação de riqueza são, na opinião do Presidente, fundamentais. O autarca adverte para o facto deste PU não pretender transformar a área intervencionada num dormitório. “Não queremos um crescimento urbano para nos transformar num dormitório, mas antes para criar riqueza e dar condições de vida às pessoas para que tenham acesso ao desporto, ao lazer, ao rio”.

Três zonas que se ligam entre si

O PU inclui três zonas. Uma mais empresarial, logística e portuária, com actividades do sector secundário; outra mais ligada ao sector terciário, próxima da futura Gare do Sul e uma outra localizada de frente para Lisboa. “Estas não são estanques, pois penetram umas nas outras”, referiu.
O Plano contempla, ainda, três grandes centralidades. Uma em torno da Gare do Sul. Esta será uma estação multimodal, um interface de transportes públicos que articula a ferrovia pesada e ligeira, os transportes colectivos e o transporte individual.
A outra centralidade situa-se onde hoje é o porto da Tanquipor e aí surgirá um jardim urbano.
A terceira centralidade é toda a zona do actual terminal rodo-ferro-fluvial, mais ligada à náutica de recreio e equipamentos de diversão de elevada qualificação.
Em relação às questões ambientais, o Presidente salientou o trabalho de tratamento do passivo ambiental, numa altura em que estão a ser dados os primeiros passos.

PU aprovado em 2011

O Presidente fez o ponto de situação do trabalho dizendo que foi apresentado o Plano às entidades e aguarda alguns comentários. “Este é o momento oportuno para receber os contributos que nos querem dar”, referiu.
Para o início do próximo ano, o Presidente prevê que o Plano esteja aprovado, “após receber os contributos em Outubro e Novembro e passar, depois, às questões formais da sua aprovação”.
Garantiu que o PU pretende resolver as questões relacionadas com o Bairro das Palmeiras assumindo a sua requalificação e contemplando áreas específicas para realojar os moradores nas proximidades.
Segundo o que foi aprovado em Conselho de Ministros no âmbito do Arco Ribeirinho Sul, este Plano será executado, no máximo, até 18 anos e poderá abarcar 20 mil habitantes.
De acordo com Carlos Humberto de Carvalho, a CMB manifestou o interesse, sem resistência dos parceiros, de iniciar os primeiros trabalhos no terreno, com a construção da Gare do Sul e do parque urbano (futuramente localizado entre o Bairro de Santa Bárbara e o Forum Barreiro).

Amplo processo de discussão

O Vereador Rui Lopo, responsável pela área do Planeamento, anunciou um conjunto de iniciativas no âmbito do processo de discussão pública. Começou por recordar a primeira reunião com eleitos municipais realizada a 27 de Setembro e deu conta de sessões públicas de participação nas freguesias e uma exposição itinerante sobre o PU que irá servir de suporte, até Março de 2011.

Do calendário, salientou o Fórum da Participação agendado para o dia 20 de Novembro, uma iniciativa que pretende seja de “ampla discussão e que seja colocado em cima da mesa o e agora? que nos permita ajudar a traçar alguns caminhos”, referiu.

Projecto de referência

O Vereador caracterizou o Plano como “um projecto de referência à escala nacional, pelas entidades envolvidas, pela sua extensão e por contemplar o maior pólo desportivo a Sul, o Fabril”.
Neste momento, a CMB em conjunto com a RAVE e a Parque Expo estudam a zona de influência da Gare do Sul, entre outras questões.

Património Histórico

Segundo Rui Lopo existe “a consciência clara que o Barreiro tem um grande potencial turístico”. A pensar nisso irão ser preservadas diversas estruturas e marcos da história industrial do Barreiro, tais como a Casa Museu Alfredo da Silva, a estação fluvial, algumas chaminés, a rotunda das máquinas (comboios), entre outras.

“Estamos muito confiantes neste projecto”

A finalizar, Paulo Silva, do Conselho de Administração da Baía do Tejo (Quimiparque), congratulou-se com o trabalho de parceria desenvolvido ao longo de três anos que “permitiu chegar à proposta de PU e a esta maqueta”.
Informou que a Baía do Tejo é um parque empresarial com cerca de 200 empresas e no qual trabalham aproximadamente duas mil pessoas.
Nos próximos tempos, a Baía do Tejo prevê a consolidação do parque empresarial, as deslocalizações de empresas e o tratamento do passivo ambiental. No primeiro trimestre de 2011 prevê-se concretizar a remoção de resíduos, um trabalho orçado em quatro milhões de euros.
Finalizou a sua intervenção proferindo palavras de elogio ao PU: “Estamos muito confiantes neste projecto, uma vez que é muito estruturante e com todas as novas acessibilidades previstas”.

info: CMB 2010-10-07