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Do Barreiro à Quinta Parte do Mundo.
Perspectiva home
Fonte: 25 anos de rock 'n Portugal ( António A. Duarte 1983 )
 
     
Na margem esquerda do Tejo existe uma vila fortemente industrializada
onde predomina uma população operária habituada a múltiplos toques
de sirenes e nuvens cinzentas artificiais, é o Barreiro, local de tradições
de luta por melhores condições de vida.
Pulsa matematicamente, por bielas e engrenagens.
Ordena o gesto impessoal, repetido e preciso, impõe o estereótipo
como única forma de sobrevivência.
Os seus servidores habitam caixotes de cimento armado
sonhando com varandas sobre florestas virgens.
A carga emocional do binómio homem - máquina,
a atmosfera asfixiante da cintura industrial e
o desejo constante da libertação do espírito estão presentes
nos seres humanos que não se deixam dominar pelo
poder alienante da super tecnologia,
entre os quais cinco jovens músicos que
durante as poucas horas de libertação
em que não trabalham ou estudam, se dedicam
à criação de um pequeno (grande) universo
que não esquece a realidade propondo alternativas.

António M. Pinheiro da Silva, José Manuel Pereira
Luis Miguel Luz, Vítor Real e Vítor Ferrão.

 
    Ilustre desconhecidos com passados musicais ligados
a conjuntos de baile, os cinco Perspectiva
começam a dar nas vistas nos finais de 1976,
altura em que já compõem musica própria.
Um dia o grupo actuava em Viseu na primeira parte
de um concerto em que a estrela era a Banda do Casaco,
pela primeira vez a tocar ao vivo.
António Pinho e Nuno Rodrigues, a famosa dupla
da Banda então trabalhadores da Imavox como produtores,
gostaram dos Perspectiva e fizeram com que
gravassem o primeiro Single, a que se seguiria outro e último.