Quimiparque transformada em nova Expo lá para 2028  
 


O Barreiro prepara uma "revolução" à beira do rio Tejo em terrenos onde a velha CUF (Companhia União Fabril) fez história ao longo de décadas. O investimento de 250 milhões de euros contempla uma intervenção numa área de 500 hectares (300 dos quais integrados na Quimiparque), que ambiciona criar novas zonas de lazer, com restauração e hotelaria, espaço dedicado ao desporto náutico, além de uma estação multimodal, que será a maior da margem sul. A conclusão do projecto tem um horizonte de 18 anos, mas é possível que em 2014 já exista obra feita.
Segundo a proposta do Plano de Urbanização (PU) da Quimiparque - que deverá ser aprovado em 2011 - existem três eixos estratégicos em que o Barreiro quer apostar, estimando que esta espécie de "nova cidade" venha a criar cerca de 30 mil empregos, ajudando a aumentar a população dos actuais 85 mil para os cem mil habitantes.
A criação de um parque urbano no porto de Tanquipor, dotado de estações fluvial e rodoviária, virado para Lisboa, surge entre as prioridades do plano, traduzindo-se numa imensa zona verde, que conduzirá os visitantes aos locais históricos do actual Barreiro, caso do bairro Operário.
De resto, o projecto tem também como meta a exploração do potencial turístico local, pelo que está prevista a preservação de diversas estruturas e marcos da história industrial, como a Casa Museu Alfredo da Silva, a estação fluvial, algumas chaminés, a rotunda das máquinas (comboios).
"Queremos que o parque urbano funcione como um contraponto ao Terreiro do Paço, com vários equipamentos de apoio e serviços", diz o presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto, para quem também a náutica de recreio deverá ter um papel muito relevante no futuro.
À semelhança da estação multimodal, um projecto para o qual a RAVE (Rede Ferroviária de Alta Velocidade) e a Parque Expo já iniciaram estudos para avaliar a zona de influência da Gare do Sul. É por aqui que vai passar o comboio de alta velocidade, sem paragem, estando prevista que esta estação venha a ligar a ferrovia entre o Norte e o Sul.
"Ficaremos a pouco mais de dez minutos de Lisboa e do futuro aeroporto", acrescenta o autarca do Barreiro.
"Não estamos a pensar em ser um novo centro turístico em Portugal, mas iremos ter centralidades que irão puxar pelo Barreiro, sobretudo em termos do turismo de negócio, uma área em que Lisboa não está a ter capacidade de resposta para a procura", justifica Carlos Humberto, reconhecendo que a construção da terceira travessia sobre o Tejo vai ter influência no prazo de execução deste plano barreirense.
"Se as coisas não andarem tão depressa temos que ser mais pacientes e criativos, mas o importante agora é não perder esta visão de futuro", alerta o edil, para quem esta intervenção não pode correr o risco de transformar o Barreiro num dormitório de Lisboa.
Pelo contrário, diz Carlos Humberto, o plano prevê "criar riqueza e dar condições de vida às pessoas para que tenham acesso ao desporto, ao lazer, ao rio.

ROBERTO DORES Diário Notícias – 17-10-2010