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A
montra do nosso descontentamento
Ao olhar despreocupadamente a montra de
uma resplandecente loja
de artigos ópticos recentemente inaugurada no centro da Cidade,
na Av. Alfredo da Silva fui surpreendido por uma bizarra decoração
fazendo lembrar um presépio sem tempo. Sobre um fundo constituído
por uma sopa de rosas vermelhas com espigas de cereais a nadar em pano
verde, temos à esquerda um painel com um texto e as assinaturas
dos responsáveis, à direita o nome de baptismo do projecto
de desastre contemplado na vitrina em análise, Proposta
ao Barreiro Homenagem ao Operário, umas magníficas
letras pretas em nobre fundo de esferovite. Ao centro temos o desastre
propriamente dito, uma coluna parcialmente enredada, no topo da qual um
derrotado corcunda exibe a sua subserviente curvatura. Por trás
da peça anteriormente descrita coabitam ainda um pequeno painel
com uma planta de localização da obra bem como fotografias
de quadros do saudoso Pintor
Barreirense Belmiro Ferreira, fotografias essas que foram abusivamente
retiradas do site artbarreiro.com
e que estão a ser exibidas publicamente sem a necessária
autorização do mesmo.
Nada me move contra a associação promotora da iniciativa,
a ABRIL, antes pelo contrário, aprovo e estou
consciente da necessidade e utilidade deste tipo de iniciativas dos cidadãos
e para os cidadãos, embora discorde completamente da forma utilizada
tanto na maneira de promover a iniciativa como na imposição
de uma simbologia, quanto a mim completamente inadequada ao propósito
pretendido.
Se escrevo estas linhas também é porque tenho respeito pelos
promotores exigindo o mesmo respeito e consideração por
todos os munícipes que seguramente não querem ser confrontados
com o nascimento de mais um mamarracho imposto seja por quem for, muito
menos algo que de qualquer forma minimize a grandiosidade do Operário
Barreirense e que infelizmente é aquilo que se nos apresenta nesta
montra do nosso descontentamento.
Barreiro 11 de Junho de 2004
Luís Ferreira da Luz
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