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CMB COMEMOROU O “60º ANIVERSÁRIO DA GREVE DE 1943 NO BARREIRO”
COM EXPOSIÇÃO E CONFERÊNCIA ALUSIVA AO TEMA

No passado domingo, 27 de Julho, inaugurou a Exposição “60º Aniversário da Greve de 1943 no Barreiro”, patente ao público nas Reservas Museológicas Visitáveis da autarquia, até 30 de Setembro. A inauguração desta Exposição, que recupera muito da identidade do Barreiro e dos barreirenses, contou com a presença de algumas personalidades de prestígio na vida política nacional, tais como José Pacheco Pereira, António Ventura, Armando Sousa Teixeira, Edmundo Pedro, João Manuel da Costa Feijão e José Miguel Leal da Silva, recebidos pelo Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Emídio Xavier, e pelo seu executivo.

Perante o olhar atento e comovido, largas dezenas de convidados e visitantes assistiram a um documentário, com cerca de 20 minutos, com testemunhos de 15 pessoas, que, de alguma forma, estiveram envolvidas no movimento que originou a ocupação militar do Barreiro. Este filme, refira-se, será exibido continuamente durante toda a Exposição.

Depois de visitado o espaço da Quimiparque, teve início, no Auditório da Biblioteca Municipal, uma Conferência alusiva ao tema em destaque, com o Presidente da Autarquia do Barreiro de novo como anfitrião dos sete oradores convidados e dos visitantes que rumaram ao espaço da Biblioteca no centro da cidade.

“Um acontecimento de grande peso na história da luta dos trabalhadores portugueses pela Liberdade e pela melhoria dos seus direitos” foi como Emídio Xavier classificou a Greve de 1943, no Barreiro. O autarca acrescentou que a partir dessa data, o Barreiro ficou associado a “uma imagem de vanguarda de luta e de oposição ao Governo de Salazar”. O edil aproveitou a ocasião para anunciar que vai propor ao Executivo Municipal a atribuição da Medalha de Mérito Municipal – Ouro ao Movimento Grevista de 1943, “como forma de reconhecimento a todos os cidadãos barreirenses, muitos já falecidos, muitos hoje anónimos, que colocando em risco o seu posto de trabalho e até, por vezes, a sua própria vida, reforçaram e foram símbolo da luta pela liberdade”. O Presidente adiantou ainda que a referida condecoração será colocada num espaço nobre do concelho, provavelmente no Auditório Municipal Augusto Cabrita, a inaugurar em princípios de Outubro.

O trabalho agora iniciado terá continuidade. Segundo o Presidente é necessário transmitir esta informação aos mais novos. “Assumamos o compromisso de aprofundar este trabalho, criando uma Bolsa de investigação que permita à autarquia a edição desta memória histórica. Porque é fundamental passar a informação às novas gerações”, concluiu.

António Ventura, o primeiro conferencista a intervir, apresentou o tema “As Greves de 1943: O enquadramento”, debruçando-se sobre o papel do historiador durante a pesquisa e a problemática das fontes. A segunda parte da sua intervenção foi dedicada ao enquadramento e contextualização nacional da Greve de 1943. Pacheco Pereira, na mesma linha de contextualização, e com o tema “Os efeitos sociais e políticos da Greve de 1943”, falou do seu trabalho como investigador da história do comunismo. Armando Sousa Teixeira, autor de três livros com o título genérico “Barreiro, Uma História de Trabalho, Resistência e Luta”, estando, nesta altura, a preparar o quarto volume, optou por contar “As pequenas histórias de que é feita a História do Barreiro – Uma Terra de Trabalho, Resistência e Luta!”.

“60 anos depois ... As fotografias da Greve de 1943” foi o título da intervenção de Leal da Silva. Na sua intervenção o autor falou da reportagem fotográfica realizada pelo jornal “O Século”, que, durante muitos anos, se pensou ter sido realizada no Barreiro. Leal da Silva referiu que a proximidade das fábricas, da CUF, e o envolvimento dos seus trabalhadores na mesma luta, foram factos que geraram alguma confusão.

Não tendo participado na Greve de 1943, por estar detido, no Tarrafal, conforme sublinhou Edmundo Pedro apresentou na cerimónia, que considerou “tão significativa” e que desejou que não se apagasse da memória, o tema “Do 18 de Janeiro de 1934 a Julho/Agosto de 1943: A tradição operária nos movimentos Grevistas nacionais”.

A última intervenção na Conferência coube a João Costa Feijão que deu conta de algumas das “Lutas do Barreiro de 1943” e da ligação, que, desde cedo, existiu entre a história do Barreiro e a própria história do Partido Comunista.

A Exposição “60º Aniversário da Greve de 1943 no Barreiro” estará aberta ao público, nas Reservas Museológicas Visitáveis, na Quimiparque, à segunda-feira, das 14.30 às 17.30 horas e de terça a sexta-feira, das 10 às 12 horas e das 14.30 às 17 horas.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
     
Texto - CMB