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Entre outros pretende-se reabilitar o edifício "Café Barreiro" com vista a criação de uma estrutura funcional destinada a equipamento(s) e/ou serviços municipais, que contribuam para a requalificação da zona antiga da cidade.

A obra de reabilitação irá ser executada em duas fases. A 1 a fase de obra incide sobre a conservação e restauro do exterior do edifício incluindo toda a estrutura resistente, a cobertura e torreões e as portas e janelas dos vãos exteriores. A obra de reabilitação do interior só ira ser executada numa 2a fase, após definição das infra-estruturas (serviços e/ou equipamento(s) urbano(s)) que irão funcionar no edifício com vista a requalificação efectiva do edifício. A 1a fase dos trabalhos corresponde a execução de projecto e obra de recuperação da estrutura resistente, incluindo todos os trabalhos nas paredes exteriores e outros elementos resistentes, torreões e coberturas, e substituição de janelas e portas dos vãos exteriores.

Dados referentes à historia do conjunto edificado
Para dar inicio aos trabalhos de projecto procedeu-se a uma recolha de elementos relativos a historia do edifício de que só há conhecimento de registos escritos, não existindo desenhos do edifício existente. 0 conjunto edificado que se pretende reabilitar e constituído por dois edifícios originalmente distintos e que vem mais tarde a ser juntos pelo seu proprietário.

O registo mais antigo do conjunto edificado refere-se ao edifício sito na Rua Conselheiro Antonio Joaquim de Aguiar descrito em 1885 como um prédio urbano com o nº de policia 85, situado na então Rua de Palhais. Em 1898 Francisco Rodrigues, comerciante, regista a seu favor este edifício e a propriedade constava do seguinte: «casas de primeiro andar e lojas, com frente para as Ruas do Marques de Pombal numero cento e vinte e nove, e do Conselheiro Joaquim Antonio d'Aguiar no Barreiro». Em 1940 a 1° andar do nº 154 e arrendado ao "Barreirense", tendo esta colectividade ali ficado instalada ate a construção do Ginásio-Sede em 1956. Terá sido após a saída do "Barreirense" do 1 ° piso, que começou ali a funcionar a Pensão Barreiro ate há cerca de 5 anos atrás.

O edifício onde actualmente se encontra instalada a Associação  “O Praiense” foi construído por Francisco Rodrigues, durante a década de 20 do século XX por volta de 1928/29. Em documento datado de 1933 o imóvel e descrito da seguinte forma: «Armazém de fazendas por atacado e a retalho. Secções de fanqueiro, retroseiro, chapelaria, sapataria, mobílias de jantar e de quarto, camas de ferro, malas, colchoaria (...)». Este documento apresenta uma imagem em que se pode ver a fachada principal do edifício em plena actividade. Trata-se de um «Prédio em tijolo e cal para comercio e habitação de rés-do-chão, 10 andar e aguas furtadas com 2 torreões, com 19 divisões, tendo a frente com 6 janelas e 2 portas e 1 montra ao nascente (...) com uma superfície coberta de 275,75 m2 Em 1942 o imóvel terá sido reconstruído e terá desaparecido um pequeno alpendre que possuía na frente e retirados das janelas e varandins «uns ferros forjados Arte Nova  mmsubstituidos pelos actuais. Provavelmente terá sido após a morte de Francisco Rodrigues e o encerramento do seu estabelecimento comercial que, depois de efectuadas as obras de reconversão, ali terá entrado em funcionamento o "Café Barreiro". Após o 25 de Abril o edifício do antigo café terá sido ocupado(?), passando desde então a funcionar ali a Associação Cultural e Recreativa «O Praiense» ate à actualidade.

Proposta arquitectónica e estrutural
Pretende-se reforçar as potencialidades do edifício com frente para a Travessa da Figueira de volumetria possante e de arquitectura erudita com influencias Arte Nova e Art Deco. Optou-se por reforçar, igualmente, a entidade de cada um dos dois edifícios restaurando todos os elementos das fachadas existentes e dos telhados da cobertura criando uma estrutura resistente única com aproveitamento dos elementos existentes em bom estado de conservação. 0 desenho homogéneo de portas e janelas a colocar nos vãos exteriores reforçam a imagem de conjunto do edificado.

Prevê-se uma estrutura que considere o espaço em toda a sua amplitude tipo "open-space" de forma a permitir uma liberdade de reorganização do espaço interior desde o aproveitamento, total ou parcial, da compartimentação existente ate à total reformulação do espaço interior que poderá vir a ser executado num sistema de estrutura leve amovível.

Pretende-se a recuperação de todos os elementos estruturais com o máximo de aproveitamento dos elementos e materiais existentes. Os elementos danificados a substituir ou a reparar deverão ser executados com materiais idêntica à existente, recorrendo-se, sempre que possível, às técnicas utilizadas no edifício actual. Serão recuperados e restaurados todos os elementos decorativos em argamassa de cal e areia, os elementos em pedra e ferro incluindo todos os frisos, balaustradas, molduras dos vãos, socos, pináculos e portadas dos torreões.

 

Fontes: Informação n° 40/DSC/PAT/2006;
Inventario do Património Arquitectónico da DGEMN