Parece-nos que Vítor Ramos já atingiu um patamar de
segurança e maturidade onde esse aspecto que se torna secundário
porque lhe está subjacente. Quer dizer, os materiais, a composição,
as linhas, a volumetria, a forma plástica, formam uma linguagem
estética coerente que serve de base para a consequente realização
de obras de arte.
De facto, constatamos uma evolução no seu trabalho.
De formas mais complexas para "formas" mais puras. Aquilo
que o próprio Vítor Ramos designa como " Construção
de Espaço", que poderia ser um conceito bastante asséptico
para definir "escultura", mas que se torna lapidar num modo
quase arquitectónico como realiza os primeiros trabalhos.
Daqui passa para uma singeleza de traço e construção,
onde imperam o circulo e a espiral. Do complexo para o simples. Em
arte, normalmente isso e bom sinal, é sinonimo de evolução.
Ao invés do formalismo é a simbólica que aqui
nos interessa. É um facto que o circulo sempre foi símbolo
de eternidade. O circulo é a única forma geométrica
sem divisões e semelhante em todos os pontos. Daí, porventura,
o seu simbolismo de perfeição, totalidade e unidade,
por evolução, de infinitute.
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