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A MEMÓRIA VIVA DE  
JOSÉ CARO PROENÇA  
Fotografias: acervo JCP/Ferreira da Luz
Coordenação: artbarreiro.com
   

4 – ROMAGEM DE SAUDADE PIEDOSA


Findo os XV Jogos da era Moderna (3 AGO. 1952), o “SERPA PINTO” larga do porto de Helsínquia. No cais, à despedida, acenam lenços infindos de afecto sentido. Um deles era o de Karina Heino, em cujo rosto rola lágrima furtiva de espúria amizade olímpica – relembra José Caro Proença.
Já rumo a Lisboa o paquete toca Estocolmo. Aqui, secundando os “Mais Velhos” – entre os quais Ricardo Ornelas, seu companheiro indefectível e vulto culto por excelência -, JCP, cumpre piedosa romagem de saudade. Fê-lo, visitando o estádio onde decorreram os Jogos de 1912. Pois, dali partiu o malogrado maratonista português, Francisco Lázaro. Partiu, mas não regressou. Vitimou-o uma estúpida infecção. Estúpida, por ignorância do próprio atleta. Ou de quem permitiu que Francisco Lázaro ensebasse o corpo. A consequência fatal do malogrado atleta – cerca do quilómetro “30”, a 22 de Julho de 1912.
José Caro Proença, evocou a tragédia de Francisco Lázaro no programa radiofónico “Momento Olímpico” que mantinha na Emissora Oficial de Angola – hoje designada Rádio de Angola.
Fê-lo sob a forma de relato virtual – como se “em directo”, “ao vivo”. Ou seja, descrevendo o comportamento atípico do maratonista ensebado e cabeça descoberta debaixo de sol escaldante. Sempre até ao quilómetro fatal, da maratona olímpica de Estocolmo (1912), com ênfase contagiante de repórter acompanhando o atleta lado-a-lado, no regresso ao passado (de 40 anos), disso deu conta JCP aos ouvintes da Emissora Oficial de Angola. Aliás técnica radiofónica idêntica à adoptada em “A Guerra dos Mundos” (obra literária de H.G. Wells), quando Orson Wells induziu os Americanos da invasão dos Estados Unidos por extraterrestres.
Assim; JCP, pôs a cultura ao serviço do desporto a fim de sensibilizar um público-alvo amorfo. Conseguiu-o. Talvez de forma inédita em todo o espaço lusófono. Testemunha-o o abraço de gratidão dado por Jorge Vieira a JCP, momentos depois da transmissão do programa dedicado ao fatídico atleta olímpico, Francisco Lázaro. É que, Jorge Vieira (então, velha glória do Sporting Clube de Portugal e capitão da valorosa e disciplinada equipa de futebol nacional que pela primeira vez participou nos Jogos Olímpicos, onde alcançou o honroso 5º lugar em Amsterdão, no ano de 1928), na puerícia, via Francisco Lázaro como modelo de virtudes desportivas e cívicas.

 

Jaime Palma

Barreiro, 5 de Outubro de 2004