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– JOGOS OLÍMPICOS DE HELSÍNQUIA
Pelo pressuposto, JCP obtém a creditação de
“Repórter Olímpico” pelo comité
organizador, finlandês (COF).
Como tal, embarca no paquete “Serpa
Pinto” – como que instituído em
“Aldeia Olímpica”, flutuante, portuguesa . A
bordo alojam-se, durante cerca de um mês, uns 70 atletas e
obra de 500 acompanhantes: dirigentes, jornalistas, turistas, etc.
O navio saiu de Lisboa rumo a Helsínquia, através
do “Mar do Norte” – então, ainda pejado
de um sem-número de barcos afundados durante a Segunda Guerra
Mundial, recente (1939-1945), e de minas anti-navio à deriva.
Espectáculo dantesco que obrigou à admissão
de um piloto local, experiente, a fim de conduzir o “Serpa
Pinto” a bom termo. Ou seja, entrada do canal
de Kiel , interface do Atlântico Norte com o Báltico,
onde se situa o porto de Helsínquia – termo da viagem,
de ida.
No trajecto marítimo, JCP, identificou-se com os principais
atletas e dirigentes ( da égide do General Correia Leal,
antigo campeão nacional de Atletismo), entrevistando-os amiúde,
e convivendo com os cinco jornalistas portugueses reconhecidos pelo
Comité Olímpico Português (COP): Ricardo
Ornelas – companheiro predilecto-, Lança
Moreira, Artur Agostinho, Eduardo Soares e Afonso Lacerda (salvo
erro). E, também, refez antigo companheirismo com Moniz Pereira
– coevo de JCP no atletismo do Sporting Clube de Portugal
-, e estabeleceu novos laços de amizade, de elevada dignidade
profissional e cultural. Caso de Adelino Lyon de Castro –
talvez o melhor fotógrafo nacional na época, em quem
o barreirense Augusto Cabrita se teria inspirado no inicio da sua
notável carreira profissional-artistica.
Quanto à preparação dos atletas, à ida,
o paquete “Serpa
Pinto” serviu de ginásio e “campo”
de treinos, em diferentes modalidades. Das de aparelhos gímnicos
à esgrima – excepto náuticas e hípicas,
é óbvio. Preparação que, JCP, seguiu
e registou – logo a relatando para Angola.
Já em Helsínquia, nos dias que antecederam os Jogos,
JCP, com o estatuto de “Repórter Olímpico”
credenciado pelo Comité Organizador, assistiu aos treinos
de alguns dos atletas mais famosos do momento. Caso do Checo
Emil Zatopek,
apodado de “locomotiva humana” . Seu triunfo nas três
provas de fundo – 5000 m, 10.000 m e Maratona na mesma Olimpíada,
jamais foi alcançado até hoje.
Outro feito invulgar que JCP registou correspondeu à prova
de “triplo salto” em que o atleta brasileiro, Adhemar
Ferreira da Silva, melhora o seu já recorde
mundial de 16,01 metros por quatro vezes consecutivas, fixando-o
em 16,22 metros . Marca Olímpica e do Mundo que o próprio
Adhemar Ferreira
da Silva ultrapassou em 1956, nos Jogos de Melbourne,
com o máximo mundial de 16,35 metros.
Outro momento histórico foi a final de basquetebol entre
os Estados Unidos da América e a União Soviética.
Histórico, como primeiro confronto olímpico na modalidade
entre as duas superpotências, e pela alta qualidade e emotividade
do jogo, do principio ao fim.
A selecção Americana venceu por 86-58.
Lembrança desse jogo é o bilhete respectivo,
ao preço de $1 US – cerca de 40$00, ao câmbio
português da época, ou 0,20 euros actuais.
Mas, a imagem mais gratificante que JCP guarda dos Jogos de Helsínquia
é a de Paavo
Nurmi, o “Finlandês Voador” –
como admiravelmente era apodado à escala mundial. Daí
o aplauso generalizado que recebeu ao surgir do túnel da
Maratona, no Estádio de Helsínquia. Estátua
viva, na sua famosa passada de “fundista”, ostentando
o facho olímpico . Depois, a apoteose entra em crescendo
à medida que Nurmi se aproxima da “pira”. Ao
ateá-la recebe uma monumental ovação .
Preito devido ao atleta olímpico com mais medalhas de ouro
(até hoje, 2004 – nove medalhas de ouro, individuais).
Aliás, com os Jogos Olímpicos de Paris (1924), Paavo
Nurmi, deteve todos os recordes mundiais de Atletismo entre os 1500
e os 10.000 metros – feito jamais atingido por outro atleta.
O perfil e a passada atlética, ímpar, de Paavo Nurmi,
perpetuam-se na estátua em bronze à entrada do Estádio
de Helsínquia (foto 13), onde JCP, ao lado do jornalista
desportivo Ricardo Ornelas, o viu correr pela última vez
nuns Jogos Olímpicos.
Sobre a participação portuguesa, JCP, destaca a medalha
de bronze alcançada pela dupla de velejadores, Joaquim Fiúza
e Francisco Andrade, na classe “star” – atrás
da Italiana e dos E.U.A. Nas restantes modalidades, Portugal não
passou da mediania – mais ou menos digna, num ou noutro concurso
ou disciplina.
Porém, valeu a pena! Pois, “vale sempre a pena quando
a alma não é pequena” (diz o poeta). Assim viria
a acontecer com o “OURO” conquistado por Carlos Lopes,
nos Jogos de Los Angeles (1984), Rosa Mota, nos Jogos de Seul (1988),
e Fernanda Ribeiro, nos Jogos de Atlanta (1996) – sobre a
restante “PRATA” e “BRONZE”.
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