Terceira Travessia: "Não é um capricho mas uma proposta de desenvolvimento económico" - Ana Paula Vitorino
2008-11-08 00:25:22
Barreiro, Setúbal, 08 Nov (Lusa) - A Terceira Travessia sobre o Rio Tejo "não é um capricho mas uma proposta de desenvolvimento económico", defendeu, sexta-feira, a secretária de Estados dos Transportes, Ana Paula Vitorino.
"O corredor Lisboa/Barreiro é o único sem ligação rodoviária directa e a equidade com outras áreas da Área Metropolitana de Lisboa é o que fundamenta esta vertente. Depois, a localização do novo aeroporto torna incontornável esta nova ligação" ,disse, durante a sessão pública sobre a Terceira Travessia sobre o Tejo, que decorreu no Barreiro.
Ana Paula Vitorino lembrou que a Comissão Técnica Independente, que estudou a possibilidade da vertente rodoviária na ponte, foi clara na sua decisão, o que acabou por ser validado pelo estudo do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC).
Na quinta-feira, em conferência de imprensa, o presidente da Câmara do Barreiro afirmou que a vertente rodoviária da ponte não era uma decisão unânime no País e que podia estar em causa, defendendo a importância da ponte estar concluída em 2013, com as duas vertentes: ferroviária e rodoviária.
A secretária de Estado advogou que a nova ponte é "incontornável e prioritária" no eixo Barreiro/Lisboa tendo em conta a orientação estratégica que o Governo tem para o País, enaltecendo as vantagens de um equipamento que vai receber o comboio de alta velocidade, o comboio convencional e a rodovia.
"A ponte não é um capricho mas uma proposta de desenvolvimento económico. A localização das oficinas (do comboio) de Alta Velocidade no Barreiro vai também criar emprego numa área com tradição na região", afirmou.
Ana Paula Vitorino afirmou que a ponte vai trazer alguns impactos "como todos os projectos desta dimensão" mas que irá pôr o Barreiro em "igualdade" com outras regiões.
Duarte Silva, coordenador do projecto, explicou, a um pavilhão lotado, o desenho da nova ponte, a sua localização e ligações, lembrando que no Barreiro estão em fase de "Avaliação de Impacto Ambiental" duas localizações.
"Existem duas soluções mas a que fica na zona do terminal dos Transportes Colectivos do Barreiro é preferível pois tem menos impactos e mais espaço para a construção da estação multimodal", disse.
O responsável afirmou que os trabalhos da nova ponte, no rio, devem começar em 2010 e, na zona de terra, em 2011, estando concluídos até 2013.
O presidente da Câmara do Barreiro, Carlos Humberto, defendeu que a solução foi construída de forma "articulada", enaltecendo a necessidade de uma ponte rodo-ferroviária que considera importante para o Barreiro e para Portugal.
Numa sessão que contou também com a presença de Eduardo Cabrita, secretário de Estado da Administração Local, todos os responsáveis solicitaram a participação da população no processo de consulta pública do Estudo de Impacto Ambiental, que termina a 09 de Dezembro.
"É necessário que todos participem, não devem participar só quando estão contra. As pessoas têm que manifestar o seu desejo em receber este projecto", exortou Ana Paula Vitorino.

Lusa

       
   

Terceira Travessia:
Autarca do Barreiro defende que ponte rodo-ferroviária não é decisão unânime no país

06 de Novembro de 2008

Barreiro - O presidente da Câmara do Barreiro, Carlos Humberto (PCP), defendeu hoje que a Terceira Travessia sobre o Tejo deverá estar concluída em 2013 com as funções rodoviária e ferroviária, um decisão que admite não ser unânime no país.
"Não há unanimidade no país sobre a ponte rodo-ferroviária. Existem decisões do Governo, da Câmara e de estruturas regionais, mas sem unanimidade, em especial na sua função rodoviária. É necessário reforçar a ideia que é preciso intervir e combater para que esteja construída com as duas funções até 2013", sublinhou Carlos Humberto, em conferência de imprensa.
O autarca comunista defendeu que "ninguém pode dar garantias sobre o futuro" e afirmou que a vertente rodoviária pode estar em causa.
"Penso que a ponte não está em causa mas algumas das suas funções podem estar em causa ou a sua disponibilidade para as populações em fases desfasadas", disse, lembrando a possibilidade de a vertente rodoviária ser construída numa segunda fase, hipótese que contesta.
"Há quem defenda isso. A decisão está tomada, mas como sabemos nestas coisas intervêm muitas mais pessoas. Algumas já surgiram e outras ainda vão surgir", afirmou.
O presidente anunciou que algumas personalidades do Barreiro vão assinar um abaixo-assinado a favor da ponte rodo-ferroviária, referindo que a "batalha ainda não está ganha".
"Cada dia que passa torna mais irreversível a decisão, mas a batalha ainda não está ganha. Este momento é mais uma batalha para vencermos e conseguirmos concretizar a vitória que o Barreiro merece", afirmou.
Carlos Humberto apelou também a população para participar no processo de consulta pública do Estudo de Impacte Ambiental da nova ponte, que termina a 09 de Dezembro.
"Estamos em discussão pública do estudo de impacte ambiental e queremos apelar à população do Barreiro para participar e para que dê a sua opinião, de modo a ajudar a consolidar a estratégia que temos vindo a construir", referiu.
O autarca defendeu ainda que existem duas localizações em estudo para a estação multimodal, intitulada Gare Sul, que vai nascer, apesar de defender uma das opções: onde se situam hoje as oficinas dos Transportes Colectivos do Barreiro.
"Defendemos esta hipótese porque a da localização onde está a Escola Álvaro Velho não tem espaço para a Gare que precisamos e os impactos no território são maiores pois, para além da escola, afectaria mais edifícios",explicou.
O autarca destacou várias iniciativas da autarquia para fomentar a discussão pública sobre o processo, onde também já consta a ponte rodoviária que irá ligar o Barreiro ao Seixal.
"É indispensável que seja construída ao mesmo tempo que a Terceira Travessia sobre o Tejo e os estudos apontam nessa direcção", salientou.
Carlos Humberto reafirmou que o objectivo é fazer do Barreiro uma centralidade no Arco Ribeirinho Sul e na Área Metropolitana de Lisboa, onde o rio Tejo é o elemento central.
"Para isto são necessárias alterações no território. Uma delas é a ponte com funções rodo/ferroviária e não dissociamos a sua construção daquilo que pensamos que será o elemento estruturante do Barreiro, o território da Quimiparque, sendo duas infra-estruturas nodais e indissociáveis para a concretização da estratégia", sustentou.

Lusa